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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Uma noite que a grande mídia não viu: a celebração vibrante do XIII CLAEM no Bourbon Street



Por: Claudia Souza


    Na noite de 21 de abril, o Bourbon Street Music Club se transformou em um verdadeiro epicentro da música latino-americana. Luzes quentes, casa cheia e uma atmosfera elétrica marcaram a festa comemorativa do XIII CLAEM – Congresso Latino-Americano de Escolas de Música, reunindo artistas, professores e estudantes de diversos países em uma celebração que foi muito além de um simples show.

    Sob a direção musical de Oscar Stagnaro, fundador da ALAEMUS, o palco se tornou território de encontros — encontros de culturas, linguagens e trajetórias. Ao longo da noite, músicos como Javier Flores, Vicente Luna, Oscar Acevedo, Ale Demogli, Sly de Moya e a cantora espanhola Olga Román deram forma a uma experiência musical plural, sofisticada e profundamente conectada com a identidade latino-americana.

    Cada apresentação carregava não apenas técnica e virtuosismo, mas histórias — de países, de escolas, de influências que se cruzam e se reinventam. O público, formado por uma mistura vibrante de jovens músicos, professores e artistas experientes, respondia com entusiasmo a cada solo, a cada improviso, a cada diálogo musical construído no palco.


Amilton Godoy, Amilson Godoy, Adylson Godoy e o Professor Antonio Mario Cunha 
Reitor da Faculdade Souza Lima


    Em meio a esse cenário de celebração coletiva, um dos momentos mais aguardados da noite trouxe ao palco três nomes fundamentais da música brasileira: Adylson Godoy, Amilton Godoy e Amilson Godoy.

    Amilton e Amilson, em apresentações solo ao piano, conduziram o público por suas composições autorais com elegância e profundidade, revelando universos sonoros íntimos, marcados por décadas de experiência e sensibilidade artística.

    Já Adylson Godoy trouxe ao palco a força do coletivo, apresentando suas composições à frente de um quinteto formado por Manoel Cruz (contrabaixo), Bruno Belasco (trompete), Billy Magno (sax alto) e Nahame Casseb (bateria). O grupo explorou com maestria as nuances do samba jazz, em uma performance que transitava entre sofisticação harmônica, improviso refinado e uma comunicação intensa entre os músicos.

    Ao longo da noite, o Bourbon Street permaneceu lotado — não apenas em número, mas em significado. Ali estavam representados diferentes sotaques, escolas e visões de mundo, unidos por uma mesma linguagem: a música.

    O XIII CLAEM mostrou, na prática, o que muitas vezes permanece apenas no discurso — a integração real entre países latino-americanos por meio da arte e da educação. Mais do que apresentações, o que se viu foi a construção de relações culturais.

    Apesar da relevância artística e do alcance internacional do evento, a noite histórica no Bourbon Street passou praticamente despercebida pelos grandes veículos de comunicação. E isso levanta uma questão incômoda: por que encontros dessa magnitude não ocupam o espaço que merecem?

    Não se trata de falta de informação — a pauta existiu, os convites foram feitos, os materiais foram distribuídos. O que se observa, na verdade, é um distanciamento crescente de parte da imprensa em relação a conteúdos culturais mais profundos, especialmente aqueles que não se enquadram na lógica imediatista do entretenimento de massa.

    Eventos como o CLAEM exigem atenção, escuta e contexto. Não oferecem escândalo, polêmica ou viralização fácil. Oferecem algo mais raro: conteúdo, formação e legado. E talvez seja justamente isso que os torna menos “atrativos” para uma cobertura pautada por métricas rápidas de audiência.

    Mas o paradoxo é evidente: enquanto a grande mídia silencia, o público comparece. Enquanto manchetes ignoram, plateias lotam. Enquanto algoritmos priorizam o efêmero, artistas seguem construindo história.

    O que aconteceu no Bourbon Street não depende de validação externa para existir. Foi vivido intensamente por quem esteve presente — e isso basta para que se torne memória.

    O XIII CLAEM reafirma, com força, que a música latino-americana segue viva, pulsante e em constante evolução. E que, mesmo fora dos holofotes mais amplos, há uma cena rica, consistente e profundamente relevante acontecendo — todos os dias.

    Naquela noite, São Paulo não apenas recebeu artistas de diferentes países. Tornou-se, por algumas horas, a própria capital da música latino-americana.

     A programação de hoje com entrada gratuita na Faculdade Souza Lima, trará homenagem a dois grandes músicos: Yuri Popoff e o Baterista Nenê.

        O evento se encerra dia 24/4 às 20hs com um show de encerramento e os brasileiros se despedem dos irmãos latino americano que já deixam saudades.