O universo da música instrumental brasileira acaba de ganhar
mais um capítulo de pura ousadia artística e rigor técnico. O violonista, maestro e pesquisador Robson Miguel apresentou ao público sua mais
recente façanha conceitual: a obra "Binder Único", uma composição
escrita integralmente em compasso unário (composto por apenas um tempo por
compasso), executada ao lado de músicos e sob a condução orquestral em São
Carlos (SP). Trata-se de um experimento rítmico e acústico raro, onde a obra
carrega uma profunda carga afetiva e institucional, homenageando uma das
figuras mais emblemáticas das bandas e corporações musicais paulistas: o
maestro e amigo de longa data Carlos Binder. O encontro que deu origem a "Binder Único" une
dois nomes cuja trajetória simboliza a força, a disciplina e a visão
empreendedora dentro da cadeia produtiva da música brasileira:
Robson Miguel: Virtuosismo Sem Fronteiras
Reconhecido internacionalmente como um dos maiores expoentes
do violão clássico, flamenco e brasileiro, Robson Miguel construiu uma carreira
singular marcada por prêmios internacionais, dezenas de álbuns lançados no
Brasil, Europa e Ásia, e uma profunda dedicação à pesquisa tímbrica e
histórica. Além de autor de métodos didáticos e arranjador de orquestras,
Robson é um exemplo clássico de artista realizador e visionário: idealizou e
construiu o histórico Castelo de Robson Miguel (em Ribeirão Pires/SP),
transformando sua arte em um polo cultural, turístico e educacional de grande
impacto.
Maestro Carlos Binder: Dedicação, Formação e Liderança
Orquestral
Maestro Carlos Binder durante ensaio com orquestra no Castelo de Robson Miguel (jan/2025)
Homenageado que inspirou o título da peça, o Maestro Carlos Binder é uma das maiores referências em regência de bandas marciais e fanfarras do Brasil. Com início musical precoce no trompete e assumindo a regência de grupos de adultos ainda na juventude, Binder construiu um legado histórico à frente da tradicional Corporação Musical Lyra de Mauá e da Federação das Fanfarras e Bandas do Estado de São Paulo (FFABESP). Sob sua batuta e coordenação, colecionou dezenas de títulos estaduais, nacionais e sul-americanos, transformando a prática de conjunto em ferramenta de transformação social e formação de centenas de instrumentistas.
O Desafio do Compasso Unário: Ciência, Teoria e Métrica
Em registro gravado em São Carlos, Robson Miguel contextualizou o experimento com conceitos de física acústica e frequências de ressonância natural, surpreendendo os músicos ao distribuir uma partitura com uma fórmula métrica pouquíssimo usual no repertório orquestral: o compasso unário (1/4).
Na história da teoria musical, o compasso unário representa uma raridade:
Todos os tempos são fortes: Diferente dos compassos binários, ternários ou quaternários (que organizam alternâncias entre tempos fortes e fracos), no compasso unário cada pulsação é uma cabeça de compasso, exigindo precisão absoluta de ataque, pulso e dinâmica.
Vanguarda e Modernismo: Embora tenha sido explorado pontualmente por mestres do século XX como Igor Stravinsky e Béla Bartók para criar assimetrias e quebras de fraseado, a concepção de uma obra completa estruturada sob um único tempo exige refinamento melódico e harmônico para sustentar a fluidez da narrativa musical.
Para os profissionais que acompanham o portal Músico Empreendedor, a iniciativa de Robson Miguel e a homenagem a Carlos Binder deixam uma lição clara: a relevância no mercado musical nasce da união entre domínio técnico irrepreensível, capacidade de inovação e valorização das parcerias e referências que constroem a nossa história cultural.
Assista ao registro completo da execução e dos bastidores no canal oficial do artista no YouTube:
Amilton Godoy, Sidiel Vieira, Sidmar Vieira, Edu Ribeiro, Nelson Ayres, Tico D' Godoy, Jorge Potalej, Débora de Aquino e Gabriel Grossi
Pianista, compositor e fundador do Zimbo Trio reuniu grandes nomes da música brasileira em apresentação marcada pelo virtuosismo, pela emoção e pelo encontro de diferentes gerações
O palco da Sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo, foi tomado pela música brasileira na noite de 13 de agosto de 2026, com a apresentação especial de “85 anos de Amilton Godoy”.
Em uma celebração que foi muito além de um aniversário, o pianista transformou o concerto em um encontro de amigos, parceiros e diferentes gerações da música. O resultado foi uma noite vibrante, emocionante e marcada pela qualidade artística de músicos que fazem parte da trajetória de Amilton ou que dialogam com sua obra.
Momento em que Amilton Godoy e Nelson Ayres dividem o palco
O espetáculo contou com a participação do pianista Nelson Ayres, do gaitista Gabriel Grossi, do trompetista Sidmar Vieira, do baterista Edu Ribeiro, do contrabaixista Sidiel Vieira e do grupo Juntos, formado especialmente para a apresentação por Tico D’Godoy e Débora de Aquino nos saxofones e Jorge Potalej, no contrabaixo. A apresentação foi conduzida pela jornalista Patricia Palumbo, que também prepara uma biografia de Amilton Godoy, com lançamento previsto para 2027.
A proposta do espetáculo foi apresentar um retrato do momento atual de Amilton Godoy: um artista que, aos 85 anos, continua compondo, escrevendo partituras, ministrando aulas e se apresentando ao lado de músicos de diferentes gerações. O repertório percorreu diferentes universos musicais, aproximando a música erudita da popular e valorizando a improvisação e a criação coletiva.
A apresentação começou com o “Prelúdio de Bach”, seguido por “Avião”, de Djavan. Na sequência, o público acompanhou composições autorais de Amilton, como “Juntos” e “Tudo Bem”, além de encontros musicais com Sidmar Vieira, Sidiel Vieira, Nelson Ayres e Gabriel Grossi.
Entre os momentos especiais esteve o encontro de Amilton Godoy e Nelson Ayres ao piano, interpretando “A Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, “A Saudade Mata a Gente”, de Antônio Almeida e João de Barro, e “Caminho de Casa”, de Nelson Ayres.
Já a parceria com Gabriel Grossi trouxe ao palco “Loro” e “Rapaz de Bem”, em uma demonstração da força do diálogo entre piano e harmônica. O encerramento ficou por conta de “Brazuca’s Blues”, reunindo os músicos em uma grande celebração.
Um dos aspectos mais simbólicos da noite foi a presença de Tico D’Godoy, filho de Amilton, integrando o grupo Juntos. A participação representa não apenas a continuidade de uma tradição musical, mas também a maneira como Amilton constrói sua trajetória: compartilhando conhecimento, palco e experiências com artistas de diferentes gerações.
Ao lado de Tico estavam Débora de Aquino e Jorge Potalej, formando uma das configurações especiais da apresentação. A formação do palco foi sendo modificada ao longo do espetáculo, permitindo que diferentes músicos se encontrassem em duos, trios e outras formações.
Aos 85 anos, Amilton Godoy continua demonstrando uma impressionante vitalidade artística.
Fundador e integrante do histórico Zimbo Trio, o pianista construiu uma carreira de enorme relevância para a música brasileira, com mais de 90 discos lançados, apresentações em mais de 40 países, turnês internacionais e diversas premiações e homenagens.
Sua trajetória está profundamente ligada à evolução da música instrumental brasileira, mas o concerto no CCSP mostrou que seu trabalho não pertence apenas à memória: Amilton continua criando, tocando, ensinando e estabelecendo novas parcerias.
Essa disposição para permanecer em movimento talvez seja uma das maiores mensagens deixadas pelo espetáculo. Ao falar sobre o concerto, Amilton Godoy destacou justamente esse espírito de encontro: - “É uma alegria celebrar os meus 85 anos ao lado de companheiros da música”, afirmou o pianista, ressaltando a importância de estar acompanhado por parceiros queridos e músicos de diferentes gerações. Para ele, a apresentação representou um retrato de sua vida artística atual: “Continuo compondo, escrevendo partituras para piano, ministrando aulas, fazendo shows em diferentes contextos, localidades, formações e com músicos de várias gerações.”
O sucesso da apresentação esteve justamente na capacidade de transformar uma comemoração pessoal em uma experiência coletiva. Amilton Godoy não celebrou apenas 85 anos de vida, mas, décadas dedicadas à música, às amizades construídas através dela e à transmissão de conhecimento para novas gerações. Foi uma noite de talento, emoção, improvisação e, sobretudo, de amor pela música.
Aos 85 anos, Amilton Godoy segue mostrando que a verdadeira arte não envelhece. Ela se reinventa, encontra novos parceiros e continua emocionando o público.
Vivemos uma época em que a velocidade das redes sociais parece determinar o tempo de vida de uma obra artística. Uma música faz sucesso hoje e amanhã já foi substituída por outra tendência. Por isso, iniciativas como o Sarau Brasilis, sob curadoria do músico Luiz Tristão e sua equipe, têm um valor que vai muito além do entretenimento. Elas nos lembram que a música brasileira não se sustenta apenas sobre novidades, mas sobre a memória, o encontro entre gerações e o respeito àqueles que ajudaram a construir nossa identidade cultural.
Foi exatamente essa sensação que tomou conta do público durante a homenagem prestada à cantora, compositora e instrumentista Claudya, uma artista cuja trajetória se confunde com a própria história da Música Popular Brasileira.
Mais do que um reconhecimento à sua carreira, a noite transformou-se em um encontro de afetos.
Em um dos momentos mais emocionantes, Claudya foi surpreendida pelas homenagens de seu ex-marido, o baterista Chico Medori, de sua filha Graziela Medori e de seu amigo de décadas, o pianista, compositor e maestro Adylson Godoy. Cada um trouxe lembranças que revelaram ao público não apenas a artista consagrada, mas a mulher, a mãe, a companheira e a amiga que ajudou a escrever capítulos importantes da música brasileira. Através de um diálogo aberto e descontraído, eles relembraram o início da carreira, os sucessos em festivais, programas de TV e fofocas de bastidores.
Foram histórias de palco, de estúdio, de família e de amizade. Histórias que dificilmente caberiam em um disco ou em uma biografia, mas que ajudam a compreender a dimensão humana por trás de uma carreira construída com talento, dedicação e generosidade.
Mas o tributo não ficou restrito às lembranças. A obra de Claudya ganhou vida novamente por meio das vozes de artistas de diferentes gerações, confirmando que a verdadeira arte atravessa o tempo.
Subiram ao palco sua filha Graziela Medori, Izy Mistura, Rebeca Lua, Concê Carol, Izzy Gordon, Patrícia Marx e Jacqh, acompanhados pelos músicos Pedro Michelucci (Bateria), Dino Barioni (guitarra), Gus Merida (piano) e Rodrigo de Oliveira (contrabaixo), que interpretaram composições da homenageada com personalidade, emoção e profundo respeito à sua obra. Cada apresentação acrescentou novas cores às canções, demonstrando que um grande compositor nunca pertence apenas ao seu tempo — pertence à história. O DJ Nuts também trouxe sua homenagem à amiga, mostrando peças raras do seu acervo musical, trazidos do Japão, onde comprou vinis, compactos simples e até cartões musicais da cantora, mostrando o quanto sua voz atravessou continentes.
Talvez o momento mais simbólico da noite tenha sido perceber que Claudya não foi homenageada apenas pelo que realizou no passado. Ela foi celebrada pelo quanto sua obra continua viva.
Ao ouvir intérpretes de diferentes estilos e gerações revisitando suas composições, tornou-se impossível não concluir que a música boa não tem idade. Ela apenas encontra novos intérpretes, novos públicos e novas formas de emocionar. É justamente aí que reside a grande importância do Sarau Brasilis.
Com o apoio do produtor, músico e vibrafonista Guga Stroeter, o projeto vai muito além de uma programação musical mensal. Ele cria um raro espaço de convivência entre artistas consagrados e jovens músicos, onde a experiência circula naturalmente, as histórias são compartilhadas e a memória da música brasileira deixa de ser apenas um acervo para voltar a ser vivida.
Em tempos em que o mercado da música parece cada vez mais orientado por algoritmos e métricas digitais, encontros como esse reafirmam um princípio que considero essencial para o empreendedorismo musical: carreiras sólidas não são construídas apenas por números de visualizações. Elas se sustentam por repertório, relacionamentos, credibilidade e legado.
Talvez essa seja a maior lição deixada pela homenagem a Claudya.
Enquanto tantos artistas lutam diariamente para conquistar alguns segundos de atenção nas plataformas digitais, ela continua emocionando plateias por aquilo que nunca sai de moda: boas canções. Sua obra atravessa décadas porque foi construída com autenticidade. E autenticidade não envelhece.
O Sarau Brasilis compreende isso como poucos. Ao reunir mestres da música brasileira e novos talentos no mesmo palco, o projeto promove algo muito maior do que um espetáculo. Promove a continuidade da nossa cultura, inspira quem está começando e lembra aos artistas que o verdadeiro sucesso não se mede apenas pelos aplausos de hoje, mas pela capacidade de permanecer relevante ao longo do tempo. Saí daquela noite com uma convicção ainda mais forte! De que vale à pena lutar pela ocupação de espaços e mostrar a sua arte. Acesso a espaços como o Sarau Brasilis é um privilégio! Quem esteve lá, sentiu de perto o interesse de jovens em ouvir com respeito e contemplação a história daqueles que participaram de cenas que nenhuma outra geração teve oportunidade.
Empreender na música também significa preservar histórias, criar ligações entre gerações e reconhecer aqueles que abriram caminho para que tantos outros pudessem sonhar. Aos mais velhos, o interesse e carinho desses jovens talentos é uma pílula renovadora de energia, que impulsiona e reintegra os tempos criando uma nova realidade a caminho do futuro.
A homenagem à Claudya foi um gesto de gratidão. Mas, acima de tudo, foi uma demonstração de que o futuro da música brasileira depende da nossa capacidade de valorizar o seu passado. E, enquanto existirem iniciativas como o Sarau Brasilis, haverá esperança de que esse patrimônio continue inspirando artistas, produtores e plateias por muitas gerações.
Artistas e homenageados nas redes sociais:
Claudya - @cantora_claudya
Chico Medori – @chicomedori
Graziela Medori – @grazielamedori
Guga Stroeter - @guga.stroeter
Maestro Adylson Godoy – @maestroadylsongodoy
Izy Mistura – @izymisturaoficial
Rebeca Lua – @rebecklua
Concê Carol – @amocadopandeirodefita
Izzy Gordon – @izzygordon
Patrícia Marx – @patriciamarxoficial
Jacqh – @amocadopandeirodefita
DJ Nuts - @djnuts
Produtor Luiz Tristão - @luiz.tristao
Apresentadora Elisa Dias - @elisadiasss
Pedro Michelucci - baterista - @pedromichelucci
Dino Barioni - guitarrista - @dinobarioni
Gus Merida - pianista - @meridagus
Rodrigo de Oliveira - baixista - @rodrigo de oliveira_baixista
Abertura do XIII CLAEM na Faculdade Souza Lima (20/04/26)
O XIII CLAEM – Congresso Latino-Americano de Escolas de Música teve início nesta terça-feira (20), em São Paulo, reunindo estudantes, professores e convidados de diversos países da América Latina em um dia marcado por integração, música e troca de experiências.Logo nas primeiras horas do evento, o clima já era de grande movimentação. As imagens mostram corredores cheios, credenciamento ativo e participantes chegando com entusiasmo, vindos de diferentes instituições filiadas à ALAEMUS. O ambiente refletia a diversidade cultural do congresso, com músicos e educadores conectados pelo mesmo propósito: o desenvolvimento da música na América Latina.
Durante o dia, alunos e professores circularam pelas dependências da Faculdade, participando das primeiras atividades e fortalecendo o networking internacional — um dos pilares do CLAEM. Registros mostram encontros espontâneos, reencontros entre profissionais do setor e a construção de novas conexões entre diferentes gerações de músicos.
Um dos destaques da programação de abertura foi a apresentação do Combo Souza Lima, formado por alunos e professores da Faculdade. No palco, o grupo mostrou entrosamento, técnica e musicalidade, em uma performance que envolveu o público presente.
As imagens revelam uma plateia atenta e participativa, ocupando o auditório em clima de expectativa e admiração. No palco, instrumentos como bateria, piano e sopros deram o tom de uma apresentação dinâmica, com forte influência do jazz e da música instrumental — características que dialogam diretamente com a proposta pedagógica do congresso.
A performance evidenciou não apenas o talento dos músicos, mas também o papel da formação acadêmica na construção artística, reforçando a integração entre ensino e prática musical.
O primeiro dia do XIII CLAEM já demonstrou a força do intercâmbio cultural promovido pelo congresso. Participantes de diferentes países compartilharam experiências, repertórios e visões sobre o ensino da música, consolidando o evento como um dos principais encontros do setor na América Latina.
Além das atividades formais, o clima descontraído e colaborativo foi um dos pontos altos, com registros de interação entre alunos e professores em espaços comuns, fortalecendo o espírito de comunidade que caracteriza o CLAEM.
A programação segue nesta noite com a abertura oficial do congresso, marcada para às 20h e aberta ao público. O evento contará com a participação dos professores músicos das escolas filiadas à ALAEMUS, prometendo um espetáculo que celebra a diversidade e a excelência da música latino-americana.
Com uma agenda que inclui workshops, masterclasses, apresentações e encontros ao longo dos próximos dias, o XIII CLAEM consolida São Paulo como um importante polo de difusão cultural e formação musical.
Acompanhe a agenda dos próximos dias com programação especial:
Ingressos para a Festa no Bourbon Street no SYMPLA AQUI