O universo da música instrumental brasileira acaba de ganhar
mais um capítulo de pura ousadia artística e rigor técnico. O violonista, maestro e pesquisador Robson Miguel apresentou ao público sua mais
recente façanha conceitual: a obra "Binder Único", uma composição
escrita integralmente em compasso unário (composto por apenas um tempo por
compasso), executada ao lado de músicos e sob a condução orquestral em São
Carlos (SP). Trata-se de um experimento rítmico e acústico raro, onde a obra
carrega uma profunda carga afetiva e institucional, homenageando uma das
figuras mais emblemáticas das bandas e corporações musicais paulistas: o
maestro e amigo de longa data Carlos Binder. O encontro que deu origem a "Binder Único" une
dois nomes cuja trajetória simboliza a força, a disciplina e a visão
empreendedora dentro da cadeia produtiva da música brasileira:
Robson Miguel: Virtuosismo Sem Fronteiras
Reconhecido internacionalmente como um dos maiores expoentes
do violão clássico, flamenco e brasileiro, Robson Miguel construiu uma carreira
singular marcada por prêmios internacionais, dezenas de álbuns lançados no
Brasil, Europa e Ásia, e uma profunda dedicação à pesquisa tímbrica e
histórica. Além de autor de métodos didáticos e arranjador de orquestras,
Robson é um exemplo clássico de artista realizador e visionário: idealizou e
construiu o histórico Castelo de Robson Miguel (em Ribeirão Pires/SP),
transformando sua arte em um polo cultural, turístico e educacional de grande
impacto.
Maestro Carlos Binder: Dedicação, Formação e Liderança
Orquestral
Maestro Carlos Binder durante ensaio com orquestra no Castelo de Robson Miguel (jan/2025)
Homenageado que inspirou o título da peça, o Maestro Carlos Binder é uma das maiores referências em regência de bandas marciais e fanfarras do Brasil. Com início musical precoce no trompete e assumindo a regência de grupos de adultos ainda na juventude, Binder construiu um legado histórico à frente da tradicional Corporação Musical Lyra de Mauá e da Federação das Fanfarras e Bandas do Estado de São Paulo (FFABESP). Sob sua batuta e coordenação, colecionou dezenas de títulos estaduais, nacionais e sul-americanos, transformando a prática de conjunto em ferramenta de transformação social e formação de centenas de instrumentistas.
O Desafio do Compasso Unário: Ciência, Teoria e Métrica
Em registro gravado em São Carlos, Robson Miguel contextualizou o experimento com conceitos de física acústica e frequências de ressonância natural, surpreendendo os músicos ao distribuir uma partitura com uma fórmula métrica pouquíssimo usual no repertório orquestral: o compasso unário (1/4).
Na história da teoria musical, o compasso unário representa uma raridade:
Todos os tempos são fortes: Diferente dos compassos binários, ternários ou quaternários (que organizam alternâncias entre tempos fortes e fracos), no compasso unário cada pulsação é uma cabeça de compasso, exigindo precisão absoluta de ataque, pulso e dinâmica.
Vanguarda e Modernismo: Embora tenha sido explorado pontualmente por mestres do século XX como Igor Stravinsky e Béla Bartók para criar assimetrias e quebras de fraseado, a concepção de uma obra completa estruturada sob um único tempo exige refinamento melódico e harmônico para sustentar a fluidez da narrativa musical.
Para os profissionais que acompanham o portal Músico Empreendedor, a iniciativa de Robson Miguel e a homenagem a Carlos Binder deixam uma lição clara: a relevância no mercado musical nasce da união entre domínio técnico irrepreensível, capacidade de inovação e valorização das parcerias e referências que constroem a nossa história cultural.
Assista ao registro completo da execução e dos bastidores no canal oficial do artista no YouTube:
Chá da Tarde e Desfile de Moda no Gran Villaggio reuniu artistas, empreendedores e personalidades em uma tarde de celebração à maturidade e à valorização do Centro paulistano
O Centro de São Paulo ganhou, no último dia 15 de agosto, um encontro que uniu moda, música, empreendedorismo, cultura e valorização da maturidade. O Gran Villaggio Hotel, na Rua Martins Fontes, 330, recebeu o Chá da Tarde e Desfile de Moda, produzido por Mara Porto e Maurício Coutinho (Coutinho Eventos), com apresentação dos comunicadores Leão Lobo e Cibele Attallah.
A iniciativa teve como proposta ir além de uma tradicional tarde de moda. O evento buscou mostrar que o Centro da capital paulista continua sendo um espaço de convivência, cultura, negócios e encontros, reforçando a importância de sua revalorização.
Entre as presenças que deram brilho especial à tarde esteve a cantora e comunicadora Faa Morena, nome intimamente ligado à música brasileira e à televisão. Sua participação aproximou ainda mais o universo da moda e do entretenimento da música, uma combinação que dialoga diretamente com a proposta do Músico Empreendedor. Faa Morena construiu uma trajetória de destaque na televisão brasileira, especialmente por seu trabalho à frente do programa “Ritmo Brasil”, atração musical da RedeTV! que permaneceu no ar por anos e recebeu grandes nomes da música nacional.
O programa se tornou conhecido por abrir espaço para artistas de diferentes estilos e por valorizar a música brasileira. Faa Morena também desenvolveu sua carreira como cantora, consolidando uma trajetória artística que transita entre a comunicação, a televisão e a música. Sua presença cantando e no desfile do Gran Villaggio simbolizou justamente essa conexão entre diferentes linguagens artísticas. Para um evento que valoriza profissionais experientes e a força da maturidade, a participação de Faa Morena trouxe ainda mais representatividade.
Outro momento significativo foi a presença do pianista e compositor Adylson Godoy, representando a União Paulista de Artistas Sêniores (UPARS). Presidente da entidade, Adylson Godoy tem uma trajetória dedicada à música brasileira e à valorização profissional de artistas com mais de 50 anos. A UPARS foi fundada em 2015 com o objetivo de apoiar artistas nessa faixa etária e com longa experiência de carreira, promovendo oportunidades e inserção no mercado de trabalho.
A presença de Adylson Godoy no evento reforçou uma mensagem que ultrapassa a passarela: a maturidade não representa o fim de uma carreira, mas pode significar uma nova etapa de protagonismo, produção e realização. Essa visão está diretamente ligada ao trabalho desenvolvido pela UPARS, que vem promovendo encontros, concertos e projetos voltados à valorização da música e dos artistas seniores. Entre suas iniciativas recentes estão os concertos "Queremos Paz no Planeta" e "Entre o Céu e o Som – Harmonia Transcendental", realizados recentemente, além de projetos como o Encontro de Gerações, com a parceria e apoio fundamental da Faculdade e Conservatório Souza Lima.
Um dos aspectos mais marcantes da tarde foi o apoio de empreendedores de diferentes segmentos, que proporcionaram diversos sorteios e momentos de confraternização, gerando encontros e possibilidades de networking entre pessoas que atuam em áreas diferentes.
Algumas empreendedoras, além de apresentarem seus produtos e negócios durante a exposição, também assumiram o papel de modelos e desfilaram. A passarela tornou-se, assim, uma extensão do empreendedorismo feminino. O resultado foi uma demonstração de força, autoestima e capacidade produtiva das mulheres 50+, mostrando que moda e empreendedorismo podem caminhar juntos e que a idade não limita a capacidade de criar novos projetos.
Para o setor musical, essa mensagem também é particularmente relevante. Artistas, músicos, cantores, produtores e profissionais da cultura enfrentam, muitas vezes, o desafio de permanecerem ativos e encontrarem novos espaços de atuação ao longo da carreira. A presença de nomes como Faa Morena e Adylson Godoy mostra que experiência e longevidade podem ser ativos importantes para a economia criativa, onde essa característica torna eventos desse gênero importantes para o empreendedorismo cultural: uma conversa durante um chá pode gerar uma parceria; uma apresentação pode aproximar um artista de um produtor; um desfile pode dar visibilidade a uma nova marca.
O Centro como palco da cultura
A escolha do Gran Villaggio Hotel, na região central de São Paulo, também carregou um significado especial e a proposta de revalorizar o Centro por meio de eventos culturais, sociais e de entretenimento demonstra que a ocupação positiva dos espaços urbanos pode contribuir para fortalecer a relação das pessoas com a cidade.
O evento mostrou que moda, música, cultura e empreendedorismo podem ser ferramentas de valorização urbana. Nesse sentido, a tarde de 15 de agosto não ficou restrita às passarelas. Ela apresentou uma ideia maior: a de que o Centro de São Paulo precisa continuar recebendo pessoas, iniciativas, negócios, arte e cultura.
Para o Músico Empreendedor, a participação de Faa Morena e Adylson Godoy ganha um significado especial. A música está presente em praticamente todos os ambientes da economia criativa. Ela dialoga com a moda, a televisão, os eventos, a comunicação, a publicidade e o empreendedorismo.
Faa Morena representa a artista que transita entre a música e a comunicação. Adylson Godoy representa a experiência de um músico e compositor que também atua na defesa e na valorização profissional dos artistas seniores. Juntos, em um mesmo evento, eles ajudam a traduzir uma mensagem essencial: a carreira artística pode se reinventar em todas as fases da vida. E talvez seja justamente essa a maior contribuição do Chá da Tarde e Desfile de Moda do Gran Villaggio: mostrar que experiência não é passado — é patrimônio.
No Centro de São Paulo, entre música, moda, empreendedorismo e encontros, a tarde celebrou pessoas que continuam criando, trabalhando e ocupando seus espaços, porque valorizar a maturidade é valorizar talentos. Valorizar os artistas é valorizar a cultura. E valorizar o Centro é valorizar a própria história de São Paulo.
O próximo Chá da Tarde com Desfile de Moda, está agendado para o dia 28/11 no Gran Villagio Hotel, confira no Flyer abaixo.
Amilton Godoy, Sidiel Vieira, Sidmar Vieira, Edu Ribeiro, Nelson Ayres, Tico D' Godoy, Jorge Potalej, Débora de Aquino e Gabriel Grossi
Pianista, compositor e fundador do Zimbo Trio reuniu grandes nomes da música brasileira em apresentação marcada pelo virtuosismo, pela emoção e pelo encontro de diferentes gerações
O palco da Sala Jardel Filho, no Centro Cultural São Paulo, foi tomado pela música brasileira na noite de 13 de agosto de 2026, com a apresentação especial de “85 anos de Amilton Godoy”.
Em uma celebração que foi muito além de um aniversário, o pianista transformou o concerto em um encontro de amigos, parceiros e diferentes gerações da música. O resultado foi uma noite vibrante, emocionante e marcada pela qualidade artística de músicos que fazem parte da trajetória de Amilton ou que dialogam com sua obra.
Momento em que Amilton Godoy e Nelson Ayres dividem o palco
O espetáculo contou com a participação do pianista Nelson Ayres, do gaitista Gabriel Grossi, do trompetista Sidmar Vieira, do baterista Edu Ribeiro, do contrabaixista Sidiel Vieira e do grupo Juntos, formado especialmente para a apresentação por Tico D’Godoy e Débora de Aquino nos saxofones e Jorge Potalej, no contrabaixo. A apresentação foi conduzida pela jornalista Patricia Palumbo, que também prepara uma biografia de Amilton Godoy, com lançamento previsto para 2027.
A proposta do espetáculo foi apresentar um retrato do momento atual de Amilton Godoy: um artista que, aos 85 anos, continua compondo, escrevendo partituras, ministrando aulas e se apresentando ao lado de músicos de diferentes gerações. O repertório percorreu diferentes universos musicais, aproximando a música erudita da popular e valorizando a improvisação e a criação coletiva.
A apresentação começou com o “Prelúdio de Bach”, seguido por “Avião”, de Djavan. Na sequência, o público acompanhou composições autorais de Amilton, como “Juntos” e “Tudo Bem”, além de encontros musicais com Sidmar Vieira, Sidiel Vieira, Nelson Ayres e Gabriel Grossi.
Entre os momentos especiais esteve o encontro de Amilton Godoy e Nelson Ayres ao piano, interpretando “A Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, “A Saudade Mata a Gente”, de Antônio Almeida e João de Barro, e “Caminho de Casa”, de Nelson Ayres.
Já a parceria com Gabriel Grossi trouxe ao palco “Loro” e “Rapaz de Bem”, em uma demonstração da força do diálogo entre piano e harmônica. O encerramento ficou por conta de “Brazuca’s Blues”, reunindo os músicos em uma grande celebração.
Um dos aspectos mais simbólicos da noite foi a presença de Tico D’Godoy, filho de Amilton, integrando o grupo Juntos. A participação representa não apenas a continuidade de uma tradição musical, mas também a maneira como Amilton constrói sua trajetória: compartilhando conhecimento, palco e experiências com artistas de diferentes gerações.
Ao lado de Tico estavam Débora de Aquino e Jorge Potalej, formando uma das configurações especiais da apresentação. A formação do palco foi sendo modificada ao longo do espetáculo, permitindo que diferentes músicos se encontrassem em duos, trios e outras formações.
Aos 85 anos, Amilton Godoy continua demonstrando uma impressionante vitalidade artística.
Fundador e integrante do histórico Zimbo Trio, o pianista construiu uma carreira de enorme relevância para a música brasileira, com mais de 90 discos lançados, apresentações em mais de 40 países, turnês internacionais e diversas premiações e homenagens.
Sua trajetória está profundamente ligada à evolução da música instrumental brasileira, mas o concerto no CCSP mostrou que seu trabalho não pertence apenas à memória: Amilton continua criando, tocando, ensinando e estabelecendo novas parcerias.
Essa disposição para permanecer em movimento talvez seja uma das maiores mensagens deixadas pelo espetáculo. Ao falar sobre o concerto, Amilton Godoy destacou justamente esse espírito de encontro: - “É uma alegria celebrar os meus 85 anos ao lado de companheiros da música”, afirmou o pianista, ressaltando a importância de estar acompanhado por parceiros queridos e músicos de diferentes gerações. Para ele, a apresentação representou um retrato de sua vida artística atual: “Continuo compondo, escrevendo partituras para piano, ministrando aulas, fazendo shows em diferentes contextos, localidades, formações e com músicos de várias gerações.”
O sucesso da apresentação esteve justamente na capacidade de transformar uma comemoração pessoal em uma experiência coletiva. Amilton Godoy não celebrou apenas 85 anos de vida, mas, décadas dedicadas à música, às amizades construídas através dela e à transmissão de conhecimento para novas gerações. Foi uma noite de talento, emoção, improvisação e, sobretudo, de amor pela música.
Aos 85 anos, Amilton Godoy segue mostrando que a verdadeira arte não envelhece. Ela se reinventa, encontra novos parceiros e continua emocionando o público.
Evento gratuito no Centro Cultural Mestre Assis reforçou o papel de encontros multiculturais na valorização da música e dos artistas brasileiros
Maestro Hamilton Oliveira regendo a Banda Sinfônica na 1ª Feira Literária de Embu das Artes Foto: Claudia Souza
A 1ª Feira Literária de Embu das Artes, realizada nos dias 1º e 2 de agosto no Centro Cultural Mestre Assis, consagrou-se como um marco histórico para a cultura da região. Guiado pelo tema "Ler é transformar vidas", o evento reuniu leitores, escritores, educadores e amantes da arte em uma programação intensa e gratuita.
Além de incentivar a leitura e aproximar autores de todas as idades do público, a feira evidenciou a profunda conexão entre a literatura e a música, mostrando que encontros multiculturais são vitais para a valorização dos músicos em geral e para a ampliação do alcance das artes.
Um dos momentos mais ilustres do evento foi a presença do renomado pianista, compositor e maestro Adylson Godoy, que fez questão de comparecer ao Centro Cultural Mestre Assis para prestigiar a iniciativa. Na ocasião, Godoy foi calorosamente recepcionado pelo Maestro Hamilton Oliveira.
A trilha sonora dessa grande celebração ficou a cargo da Banda Municipal de Embu das Artes, que encantou os presentes ao interpretar um repertório plural, recheado de clássicos da música popular brasileira e temas inesquecíveis do cinema mundial.
Impressionado com a dimensão do projeto e com a recepção do público, o maestro Adylson Godoy destacou a importância de iniciativas que abram portas para a expressão artística integrada:
Pianista e Maestro Adylson Godoy no momento da "canja"
"Iniciativas como a Feira Literária de Embu das Artes são fundamentais para alimentar a alma de uma cidade. Quando unimos a literatura à música, criamos um espaço nobre para que nossos instrumentistas e compositores mostrem o seu valor. Ver a comunidade reunida e a Banda Municipal executando um repertório tão rico prova que o apoio à cultura transforma vidas e fortalece toda a classe artística."
O êxito da feira foi fruto de uma forte articulação institucional. Promovida pela Prefeitura de Embu das Artes, em parceria com a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Embu das Artes (ACISE) e o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), a realização contou ainda com o apoio do O Garimpo e da Imobiliária Porta Nova.
A visão de futuro dos gestores públicos foi determinante: o prefeito Hugo Prado e a vice-prefeita Dra. Beth acreditaram no projeto desde a sua concepção. A articulação dos secretários Alan Leão (Cultura) e Milton do Rancho (Turismo) garantiu a estrutura necessária para o sucesso da agenda cultural, enquanto a liderança do presidente da ACISE, Ivo Farias, aliada ao engajamento do CMEC, demonstrou a força da união entre o setor produtivo e o desenvolvimento social.
A promessa de uma nova edição em 2027 já está no horizonte, deixando o legado de que investir em feiras culturais e abrir espaço para a música é o caminho para formar cidadãos cada vez mais conscientes, críticos e sensíveis.
Vivemos uma época em que a velocidade das redes sociais parece determinar o tempo de vida de uma obra artística. Uma música faz sucesso hoje e amanhã já foi substituída por outra tendência. Por isso, iniciativas como o Sarau Brasilis, sob curadoria do músico Luiz Tristão e sua equipe, têm um valor que vai muito além do entretenimento. Elas nos lembram que a música brasileira não se sustenta apenas sobre novidades, mas sobre a memória, o encontro entre gerações e o respeito àqueles que ajudaram a construir nossa identidade cultural.
Foi exatamente essa sensação que tomou conta do público durante a homenagem prestada à cantora, compositora e instrumentista Claudya, uma artista cuja trajetória se confunde com a própria história da Música Popular Brasileira.
Mais do que um reconhecimento à sua carreira, a noite transformou-se em um encontro de afetos.
Em um dos momentos mais emocionantes, Claudya foi surpreendida pelas homenagens de seu ex-marido, o baterista Chico Medori, de sua filha Graziela Medori e de seu amigo de décadas, o pianista, compositor e maestro Adylson Godoy. Cada um trouxe lembranças que revelaram ao público não apenas a artista consagrada, mas a mulher, a mãe, a companheira e a amiga que ajudou a escrever capítulos importantes da música brasileira. Através de um diálogo aberto e descontraído, eles relembraram o início da carreira, os sucessos em festivais, programas de TV e fofocas de bastidores.
Foram histórias de palco, de estúdio, de família e de amizade. Histórias que dificilmente caberiam em um disco ou em uma biografia, mas que ajudam a compreender a dimensão humana por trás de uma carreira construída com talento, dedicação e generosidade.
Mas o tributo não ficou restrito às lembranças. A obra de Claudya ganhou vida novamente por meio das vozes de artistas de diferentes gerações, confirmando que a verdadeira arte atravessa o tempo.
Subiram ao palco sua filha Graziela Medori, Izy Mistura, Rebeca Lua, Concê Carol, Izzy Gordon, Patrícia Marx e Jacqh, acompanhados pelos músicos Pedro Michelucci (Bateria), Dino Barioni (guitarra), Gus Merida (piano) e Rodrigo de Oliveira (contrabaixo), que interpretaram composições da homenageada com personalidade, emoção e profundo respeito à sua obra. Cada apresentação acrescentou novas cores às canções, demonstrando que um grande compositor nunca pertence apenas ao seu tempo — pertence à história. O DJ Nuts também trouxe sua homenagem à amiga, mostrando peças raras do seu acervo musical, trazidos do Japão, onde comprou vinis, compactos simples e até cartões musicais da cantora, mostrando o quanto sua voz atravessou continentes.
Talvez o momento mais simbólico da noite tenha sido perceber que Claudya não foi homenageada apenas pelo que realizou no passado. Ela foi celebrada pelo quanto sua obra continua viva.
Ao ouvir intérpretes de diferentes estilos e gerações revisitando suas composições, tornou-se impossível não concluir que a música boa não tem idade. Ela apenas encontra novos intérpretes, novos públicos e novas formas de emocionar. É justamente aí que reside a grande importância do Sarau Brasilis.
Com o apoio do produtor, músico e vibrafonista Guga Stroeter, o projeto vai muito além de uma programação musical mensal. Ele cria um raro espaço de convivência entre artistas consagrados e jovens músicos, onde a experiência circula naturalmente, as histórias são compartilhadas e a memória da música brasileira deixa de ser apenas um acervo para voltar a ser vivida.
Em tempos em que o mercado da música parece cada vez mais orientado por algoritmos e métricas digitais, encontros como esse reafirmam um princípio que considero essencial para o empreendedorismo musical: carreiras sólidas não são construídas apenas por números de visualizações. Elas se sustentam por repertório, relacionamentos, credibilidade e legado.
Talvez essa seja a maior lição deixada pela homenagem a Claudya.
Enquanto tantos artistas lutam diariamente para conquistar alguns segundos de atenção nas plataformas digitais, ela continua emocionando plateias por aquilo que nunca sai de moda: boas canções. Sua obra atravessa décadas porque foi construída com autenticidade. E autenticidade não envelhece.
O Sarau Brasilis compreende isso como poucos. Ao reunir mestres da música brasileira e novos talentos no mesmo palco, o projeto promove algo muito maior do que um espetáculo. Promove a continuidade da nossa cultura, inspira quem está começando e lembra aos artistas que o verdadeiro sucesso não se mede apenas pelos aplausos de hoje, mas pela capacidade de permanecer relevante ao longo do tempo. Saí daquela noite com uma convicção ainda mais forte! De que vale à pena lutar pela ocupação de espaços e mostrar a sua arte. Acesso a espaços como o Sarau Brasilis é um privilégio! Quem esteve lá, sentiu de perto o interesse de jovens em ouvir com respeito e contemplação a história daqueles que participaram de cenas que nenhuma outra geração teve oportunidade.
Empreender na música também significa preservar histórias, criar ligações entre gerações e reconhecer aqueles que abriram caminho para que tantos outros pudessem sonhar. Aos mais velhos, o interesse e carinho desses jovens talentos é uma pílula renovadora de energia, que impulsiona e reintegra os tempos criando uma nova realidade a caminho do futuro.
A homenagem à Claudya foi um gesto de gratidão. Mas, acima de tudo, foi uma demonstração de que o futuro da música brasileira depende da nossa capacidade de valorizar o seu passado. E, enquanto existirem iniciativas como o Sarau Brasilis, haverá esperança de que esse patrimônio continue inspirando artistas, produtores e plateias por muitas gerações.
Artistas e homenageados nas redes sociais:
Claudya - @cantora_claudya
Chico Medori – @chicomedori
Graziela Medori – @grazielamedori
Guga Stroeter - @guga.stroeter
Maestro Adylson Godoy – @maestroadylsongodoy
Izy Mistura – @izymisturaoficial
Rebeca Lua – @rebecklua
Concê Carol – @amocadopandeirodefita
Izzy Gordon – @izzygordon
Patrícia Marx – @patriciamarxoficial
Jacqh – @amocadopandeirodefita
DJ Nuts - @djnuts
Produtor Luiz Tristão - @luiz.tristao
Apresentadora Elisa Dias - @elisadiasss
Pedro Michelucci - baterista - @pedromichelucci
Dino Barioni - guitarrista - @dinobarioni
Gus Merida - pianista - @meridagus
Rodrigo de Oliveira - baixista - @rodrigo de oliveira_baixista
O tradicional Bourbon Street Music Club foi palco de uma das apresentações mais marcantes do I Berklee Global Jazz Week; evento promovido pela Faculdade e Conservatório Souza Lima em parceria com o Berklee Global Jazz Institute (BGJI), realizado entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, contando com a presença de seu diretor e renomado pianista Danilo Pérez e Patrícia Zárate e convidados internacionais.
Com casa lotada, o espetáculo reuniu músicos brasileiros e internacionais em uma celebração da música instrumental, da formação artística e das conexões globais que hoje fazem parte da carreira do músico profissional.
O evento compreendeu um curso intensivo com carga horária de 12 horas, além de shows especiais realizadas no Bourbon Street Music Club e no Centro Cultural São Paulo.
Trata-se de uma importante iniciativa da Faculdade e Conservatório Souza Lima, por meio de seu diretor, Prof. Mário Cunha, voltada à promoção do intercâmbio internacional, da excelência artística e do fortalecimento da música latino-americana e do jazz contemporâneo.
O evento contou também com a produção e direção musical do pianista e músico Orion Morales, do Conservatório de Santiago, Chile.
No palco, o público acompanhou a apresentação do renomado pianista panamenho Danilo Pérez, fundador do Berklee Global Jazz Institute e uma das principais referências do jazz contemporâneo mundial. Reconhecido por sua atuação artística e educacional, Pérez trouxe ao Brasil a filosofia do Global Jazz, conceito que utiliza a música como ferramenta de diálogo cultural, colaboração e desenvolvimento humano.
A noite contou ainda com a participação do pianista Orion Morales, do trombonista e maestro Jorginho Neto e do Combo Souza Lima, grupo formado por estudantes da instituição paulista. A apresentação demonstrou na prática como a integração entre ensino, performance e intercâmbio internacional pode gerar experiências transformadoras para jovens músicos em formação.
Sob a direção de Jorginho Neto, o Combo Souza Lima apresentou um repertório que transitou entre jazz, samba jazz, música brasileira e improvisação contemporânea. O grupo dividiu o palco com artistas convidados do BGJI em uma dinâmica que aproximou estudantes brasileiros de profissionais atuantes nos principais circuitos internacionais da música instrumental.
Mais do que um concerto, a apresentação representou uma verdadeira aula de empreendedorismo musical. Em um mercado cada vez mais globalizado, a convivência entre músicos de diferentes países oferece oportunidades de networking, ampliação de repertório cultural e desenvolvimento de competências essenciais para quem deseja construir uma carreira sustentável na música.
A residência do Berklee Global Jazz Institute na Faculdade Souza Lima trouxe ao Brasil estudantes e professores dos Estados Unidos, Chile, Suíça e Panamá, consolidando São Paulo como um importante polo de intercâmbio artístico e educacional na América Latina. Ao proporcionar experiências práticas de convivência e criação coletiva, o projeto reforça uma tendência cada vez mais presente no setor: a formação de músicos preparados para atuar em ambientes multiculturais e colaborativos.
O sucesso do concerto no Bourbon Street evidenciou não apenas a qualidade artística dos participantes, mas também a força de iniciativas que conectam educação, mercado e inovação. Em tempos de transformação da indústria musical, eventos como o Berklee Global Jazz Week demonstram que a formação profissional do músico moderno vai muito além da técnica instrumental, exigindo visão global, capacidade de colaboração e abertura para novas experiências culturais.
Para os estudantes presentes, a noite ficará registrada como uma oportunidade rara de compartilhar o palco com artistas de projeção internacional. Para o público, foi a confirmação de que São Paulo continua sendo um dos grandes centros da música instrumental no continente. E para o mercado musical, o evento deixou uma mensagem clara: o futuro da carreira artística passa cada vez mais pela construção de redes internacionais de conhecimento, colaboração e empreendedorismo.
O Centro Cultural São Paulo (CCSP) recebeu, no dia 22 de maio, uma das apresentações mais relevantes da programação do I Berklee Global Jazz Week, iniciativa promovida pela Faculdade e Conservatório Souza Lima em parceria com o Berklee Global Jazz Institute (BGJI). O espetáculo, que reuniu o pianista panamenho Danilo Pérez e convidados internacionais, atraiu grande público e consolidou o evento como um dos momentos mais importantes da cena instrumental paulistana em 2026.
Reconhecido mundialmente por sua atuação ao lado de Wayne Shorter e por sua liderança à frente do Berklee Global Jazz Institute, Danilo Pérez apresentou ao público brasileiro uma proposta artística baseada no conceito de Global Jazz, que utiliza a música como ferramenta de diálogo intercultural, colaboração criativa e transformação social.
A apresentação reuniu músicos, professores e estudantes de diferentes nacionalidades em uma experiência musical que ultrapassou fronteiras geográficas e estilísticas. Ao longo do concerto, o público acompanhou uma combinação envolvente de improvisação, composição contemporânea e influências musicais vindas da América Latina, dos Estados Unidos e de diversas tradições culturais presentes no universo do jazz moderno.
Mais do que um espetáculo, o encontro representou uma demonstração prática de como a música pode conectar pessoas, ideias e experiências em um ambiente de aprendizado coletivo. A interação entre artistas consagrados e jovens músicos em formação reforçou um dos pilares do Berklee Global Jazz Institute: a construção de conhecimento por meio da colaboração artística.
O show encerrou a agenda do I Berklee Global Jazz Week que foi realizada com expressivo êxito entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, com a presença de seu diretor e renomado pianista Danilo Pérez, Patrícia Zárate e convidados internacionais. Integrou um curso intensivo com carga horária de 12 horas, além de shows especiais realizadas no Bourbon Street Music Club e no Centro Cultural São Paulo.
Trata-se de uma importante iniciativa da Faculdade e Conservatório Souza Lima, por meio de seu diretor, Prof. Mário Cunha, voltada à promoção do intercâmbio internacional, da excelência artística e do fortalecimento da música latino-americana e do jazz contemporâneo e contou também com a produção e direção musical do pianista e músico Orion Morales, do Conservatório de Santiago, Chile.
Para os estudantes da Faculdade e Conservatório Souza Lima, anfitriã da residência internacional, a apresentação teve um significado especial. Durante toda a semana, os participantes tiveram acesso a masterclasses, workshops, ensaios e atividades de intercâmbio com professores e alunos vindos de diversos países. O concerto no CCSP simbolizou o resultado desse processo de convivência e troca de experiências.
Do ponto de vista do mercado musical, iniciativas como o Berklee Global Jazz Week evidenciam a importância crescente das conexões internacionais na formação do músico contemporâneo. Em um setor cada vez mais globalizado, experiências de intercâmbio artístico contribuem para ampliar repertórios, desenvolver competências colaborativas e criar oportunidades profissionais além das fronteiras nacionais.
O sucesso da apresentação no Centro Cultural São Paulo demonstrou o interesse do público por projetos que unem excelência artística, formação educacional e diversidade cultural. Os aplausos ao final do espetáculo confirmaram não apenas o reconhecimento ao talento de Danilo Pérez e seus convidados, mas também a relevância de iniciativas que aproximam o Brasil dos principais centros internacionais de criação e ensino musical.
Ao promover encontros dessa magnitude, a Faculdade e Conservatório Souza Lima fortalece seu papel como referência latino-americana em educação musical e reafirma São Paulo como um dos principais polos de intercâmbio artístico do continente. O concerto de 22 de maio ficará registrado como um dos momentos mais significativos do I Berklee Global Jazz Week e como um exemplo inspirador de como a música pode gerar conexões duradouras entre culturas, profissionais e futuras gerações de artistas.
A cidade de São Paulo volta a ocupar posição de destaque no cenário internacional da música instrumental com a realização do Berklee Global Jazz Week, promovido pela Faculdade e Conservatório Souza Lima em parceria com o Berklee Global Jazz Institute. Entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, músicos, professores e estudantes do Brasil, Chile, Suíça, Estados Unidos e Panamá participam de uma intensa programação artística e pedagógica envolvendo shows, masterclasses, encontros culturais e jam sessions.
O projeto reafirma a vocação da Faculdade Souza Lima como um dos principais polos de formação musical da América Latina, fortalecendo pontes entre diferentes culturas através da linguagem universal da música.
A programação reúne nomes importantes do jazz contemporâneo, entre eles o pianista panamenho Danilo Pérez, reconhecido mundialmente por seu trabalho ao lado de Wayne Shorter e por sua atuação na formação de novos músicos em escala global. Também participam do encontro Orion Morales,Gregory Groover, Patricia Zarate e estudantes internacionais ligados ao Berklee Global Jazz Institute.
Além das apresentações musicais, o evento promove uma série de masterclasses gratuitas realizadas na sede da Souza Lima, no bairro do Paraíso, oferecendo aos alunos contato direto com práticas contemporâneas de improvisação, composição, performance e ativismo musical. A proposta vai além do ensino técnico: busca estimular a escuta coletiva, o intercâmbio cultural e a construção artística colaborativa.
Entre os destaques da programação está a apresentação do BGJI feat. Danilo Pérez + Combo Souza Lima + Orion Lion Group, realizada no Bourbon Street Music Club. O concerto simboliza a união entre músicos internacionais e jovens talentos brasileiros formados dentro da própria instituição paulista.
Trombonista Jorginho Neto - Foto: Divulgação
Nesse contexto, ganha protagonismo o trabalho do trombonista, arranjador e produtor musical Jorginho Neto, responsável pela regência do Combo Souza Lima, grupo formado por alunos da Faculdade Souza Lima. Mais do que um laboratório acadêmico, o projeto representa um espaço de experimentação artística, convivência cultural e valorização da música instrumental brasileira.
Com trajetória consolidada nacional e internacionalmente, Jorginho Neto possui formação pela própria Faculdade Souza Lima, onde foi bolsista e coordenador da Big Band Souza Lima. Sua carreira começou ainda na juventude, passando pela antiga Universidade Livre de Música (U.L.M.), sob orientação do renomado trombonista Walter Azevedo. Ao longo dos anos, construiu uma trajetória marcada por apresentações internacionais, participações em grandes festivais e colaborações com artistas como Gilberto Gil, João Bosco, Ivan Lins, Ed Motta e Paula Lima.
Apadrinhado pelo lendário trombonista Raul de Souza, Jorginho também atuou ao lado da OSESP e da Jazz Sinfônica, incluindo apresentações no tradicional BBC Proms, em Londres. Hoje, divide sua atuação entre performances, projetos educacionais e iniciativas de inclusão social através da música.
Seu trabalho à frente do Jorginho Neto Collective e da Big Band Inclusão amplia o alcance da música instrumental para jovens músicos das periferias paulistas, reforçando o caráter social e transformador da arte. O projeto une jazz, samba jazz, funk e música brasileira contemporânea em uma linguagem acessível, moderna e profundamente conectada com a realidade urbana brasileira.
O Combo Souza Lima, sob sua regência, surge exatamente dentro dessa visão: transformar o ambiente acadêmico em espaço vivo de criação, diálogo e liberdade artística. O repertório transita entre jazz, samba, música popular brasileira e improvisação contemporânea, criando experiências que aproximam tradição e inovação.
Mais do que uma série de apresentações, o Berklee Global Jazz Week representa um movimento cultural que reafirma São Paulo como centro internacional de intercâmbio musical. Ao reunir estudantes, professores e artistas de diferentes países em torno da música instrumental, a Faculdade Souza Lima fortalece uma rede global baseada em criatividade, diversidade e colaboração artística.
Em tempos marcados pela velocidade digital e pelas conexões superficiais, iniciativas como essa demonstram que a música continua sendo uma poderosa ferramenta de encontro humano, escuta sensível e transformação cultural.
São Paulo viveu uma daquelas cenas que lembram por que a música é, antes de tudo, movimento. Logo após abrir o show dos Jonas Brothers no Nubank Parque, o DJ e produtor americano Deleasa decidiu transformar o Mercado Municipal em uma grande celebração gratuita — e, sem perceber, entregou também uma aula prática de empreendedorismo artístico.
Enquanto turistas e paulistanos circulavam entre bancas e aromas, Deleasa montou seu setup e fez o que grandes profissionais fazem: aproveitou o momento, ampliou sua presença e criou conexão real com o público. Seu set misturou house com hits brasileiros e internacionais, mostrando domínio técnico, leitura de ambiente e, principalmente, respeito à cultura local.
Para quem trabalha com música, a tarde no Mercadão foi mais do que um show. Foi um lembrete poderoso:
Visibilidade gera visibilidade — abrir para uma grande turnê é incrível, mas criar experiências paralelas fortalece ainda mais a marca do artista.
A autenticidade é um diferencial competitivo — Deleasa não apenas tocou; ele viveu a cidade, conversou com fãs, celebrou o momento.
Networking não acontece só nos bastidores — acontece no palco, na rua, no improviso, na entrega.
Experiência é produto — e ele sabe construir isso como poucos.
“Subir ao palco no Brasil tem uma energia diferente. O calor e a receptividade do público sempre são incríveis; e o amor e o carinho que eles me dão torna tudo muito mais especial”, disse o artista, que já passou por eventos como Global Citizen Festival, Fórmula 1, Grammy Awards e New York Fashion Week.
Deleasa é um exemplo claro de como carreira musical é estratégia, presença digital, posicionamento e coragem para criar oportunidades onde outros só enxergam agenda. Com mais de 280 mil seguidores e parcerias com marcas como Dior, Google e Disney, ele mostra que o artista moderno é, também, um empreendedor em tempo integral.
No panteão dos artistas em atividade da cena blues/rock brasileira, o guitarrista e filho do lendário Álvaro Assmar, Eric Assmar, afirma que o blues tem presença autêntica dentro da Música Popular Brasileira.
A cena do blues nacional não morreu, pelo contrário, está ainda mais viva. O ritmo que atravessou o sul dos Estados Unidos em direção ao Brasil, a partir dos cantos entoados em lavouras de algodão, se popularizou com riffs do bluesman brasileiro Álvaro Assmar, deixando um legado a ser perpetuado por seu filho, Eric Assmar; nome confirmado na masterclass do Festival Salvador Jazz, dia 27 de maio.
No panteão dos maiores artistas em atividade no cenário blues/rock brasileiro, Eric é guitarrista, assim como o pai, que não deixa esconder seu amor pelo blues. Com os ritmos afrodiaspóricos ganhando território entre os jovens, o winner do Prêmio Caymmi de Música, na categoria "Melhor Instrumentista", afirma que a cultura no país é conectada diretamente à diáspora africana, tendo herdado o protagonismo dos instrumentos de percussão rítmica nessa conexão ancestral.
Marilia Sodré - Bombaiana
“Ao longo dos anos, o blues se tornou uma grande espinha dorsal da música popular estadunidense, tendo uma ligação muito forte com o jazz e sendo a grande inspiração para o surgimento do rock. Desta forma, a disseminação global dessa música viabilizou sua chegada em outros territórios e, no Brasil, é muito marcante a influência do rock no processo de sedimentação de uma cena de blues no país”, diz.
Eric Assmar, que integra à programação dos cinco dias do Festival Salvador Jazz – maior programação de jazz e ritmos afrodiaspóricos em maio no Brasil, entre os dias 27 e 31 de maio, conta que o blues tem presença estética dentro da Música Popular Brasileira. “Fruto dessa disseminação global que iniciou na primeira metade do século passado”, explica.
Na visão artística do cantor, esse é um momento de interesse crescente pelo blues e pelo jazz por parte dos jovens. “Eu atribuo esse momento a fatores como a facilidade de acesso que as novas plataformas vêm proporcionando e o crescimento do número de festivais dedicados ao segmento no Brasil, além da tendência atual no consumo de catálogos de artistas ‘clássicos’ dos gêneros”, afirma.
O guitarrista enxerga com entusiasmo a renovação da música como organismo vivo, que está sempre sujeita a ser reelaborada, vista através de novos ângulos e de um novo contexto. “Acho que é plenamente viável um caminho em que haja estímulo para novas produções, sem negar a história, sem deixar de prestar o devido reconhecimento aos protagonistas que traçaram o caminho até aqui, bem como todo o histórico de resistência relativo às trajetórias do blues e do jazz”, conclui. Ao final do mês, o bluesman se junta ao baterista Tedy Santana e a professora Marília Sodré (SAMBAIANA), para os encontros que antecedem o line-up do Festival Salvador Jazz. Nesta edição, o maior evento de jazz, blues, R&B e ritmos afrodiaspóricos da temporada traz nomes como Sandra Sá, Amaro Freitas, A Cor do Som, Aguidavi do Jêje, Skanibais e Grupo Garagem, entre os dias 27 e 31 de maio.
Em um momento em que a profissionalização artística se torna cada vez mais essencial para músicos que desejam atuar em um mercado globalizado, a Faculdade Souza Lima realiza uma iniciativa histórica para a educação musical brasileira: a primeira residência acadêmica no Brasil do Berklee Global Jazz Institute, um dos programas mais respeitados do mundo na formação de músicos de jazz e música contemporânea.
A ação, liderada pelo reitor e diretor acadêmico Mário Cunha, representa mais do que um intercâmbio cultural. O projeto evidencia uma visão moderna e estratégica de ensino musical, conectando estudantes brasileiros diretamente com experiências internacionais de excelência, algo ainda raro no cenário educacional brasileiro.
A residência contará com a presença do pianista panamenho Danilo Pérez, referência mundial do jazz contemporâneo e fundador do instituto, além do diretor executivo Gregory Groover, da professora Patricia Zárate e estudantes de mestrado da instituição norte-americana.
A programação inclui masterclasses, sessões interativas, apresentações musicais e orientações sobre os processos de candidatura para graduação e mestrado no Berklee Global Jazz Institute. Mais do que performances, as atividades oferecem aos estudantes brasileiros contato direto com metodologias internacionais de ensino, práticas de mercado, networking e possibilidades reais de inserção profissional em circuitos globais da música.
Outro ponto relevante da iniciativa é o intercâmbio entre estudantes brasileiros e músicos vindos do Chile, Estados Unidos, Suíça e Panamá. Essa convivência artística amplia repertórios culturais, desenvolve habilidades de comunicação musical e prepara os alunos para um mercado cada vez mais colaborativo e internacionalizado.
A criação da Global Jazz Big Band, formada por músicos brasileiros e estrangeiros durante a residência, reforça justamente essa proposta pedagógica contemporânea: aprender música por meio da prática coletiva, da escuta, da diversidade cultural e da experiência de palco.
Para quem acompanha o mercado da música, iniciativas como essa demonstram a importância de instituições de ensino que vão além da formação técnica tradicional. O grande diferencial está em criar ambientes capazes de aproximar estudantes do universo profissional, artístico e internacional ainda durante o período acadêmico.
Nesse sentido, a atuação de Mário Cunha vem consolidando a Faculdade Souza Lima como uma das principais referências em educação musical contemporânea no Brasil. Ao investir em intercâmbios, congressos internacionais, residências artísticas e parcerias globais, a instituição amplia horizontes para músicos brasileiros que desejam construir carreiras sustentáveis e competitivas.
O encerramento da residência terá dois importantes concertos. O primeiro acontece no dia 22 de maio, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, reunindo participantes da residência em uma apresentação aberta ao público.
Já no dia 29 de maio, o tradicional Bourbon Street Music Club receberá um espetáculo especial com os BGJI Ambassadors, Conservatório de Santiago feat. Oriente Morales, Combo Souza Lima e participação especial de Danilo Pérez. O evento promete ser um dos grandes encontros internacionais da música instrumental realizados no Brasil neste ano.
A residência também acontece logo após o sucesso do XIII Congresso Latino-Americano de Escolas de Música, promovido pela própria Souza Lima, que reuniu educadores, artistas e estudantes de diversos países da América Latina em debates, apresentações e ações voltadas ao futuro da educação musical.
Em um mercado cada vez mais exigente, projetos como esse mostram que a formação musical contemporânea precisa unir excelência artística, visão empreendedora, conexões internacionais e experiências práticas. Mais do que formar instrumentistas, iniciativas desse porte ajudam a preparar músicos completos para os desafios reais da carreira profissional.