terça-feira, 1 de maio de 2018

Cantora americana Alexandra Jackson lança álbum em homenagem à música brasileira

Lançamento do CD Legacy & Alchemy traz as últimas gravações de Dona Ivone Lara e reúne jazz, samba, soul e bossa nova com colaborações de grandes nomes da música americana e brasileira

A lista é extensa e inclui Miles Davis, Tom Jobim, Al Jarreu, Dona Ivone Lara, Ivan Lins, Carlinhos Brown, Pretinho da Serrinha e Banda Black Rio. Esta verdadeira seleção da música brasileira e americana está reunida pela primeira vez em Legacy & Alchemy, o CD de estreia da cantora americana Alexandra Jackson. O show de lançamento fez parte das comemorações Do Dia Internacional do Jazz, no Teatro Rival, Rio de Janeiro, no ultimo dia 30/4.

Produzido por Robert Hebert e Larry Williams em Los Angeles, Nova York, Chicago, Londres e Rio, o álbum tem a co-produção de Ivan Lins, Carlinhos Brown, Arthur Maia, Chris Walker, Banda Black Rio, Max Viana, Ricardo Silveira e Pretinho da Serrinha. . O disco de Alexandra Jackson reforça os laços de intimidade entre as músicas americana e brasileira. Nascida em Atlanta, ela navega por um repertório de clássicos do cancioneiro nacional, com pitadas de soul, bossa nova, jazz, samba e R&B.

Ao todo, Alexandra gravou um repertório de 24 músicas, em inglês e português, com o objetivo de prestar homenagem ao legado da música brasileira, sem esquecer a alquimia com suas influências americanas.

"Há um enorme caldeirão de referências musicais em nosso mundo hoje. Este álbum traz a oportunidade para as pessoas saírem um pouco da caixa. Não é só jazz, blues, soul, bossa nova ou samba, mas é uma mistura de todos eles. O álbum nasceu a partir do conceito de ´música total´, desenvolvido pelo mestre Ivan Lins”, define a cantora.

Últimas gravações de Dona Ivone Lara e Al Jarreau se juntam a um repertório de clássicos da música brasileira

O álbum Legacy & Alchemy faz sua reverência ao samba, com os clássicos “Sonho Meu” e “Força da Imaginação”, que contrastam a voz de Alexandra Jackson com a da compositora e grande dama do samba Dona Ivone Lara e do cantor Pretinho da Serrinha. A gravação, realizada em dezembro de 2015, marcou a última sessão de estúdio de Dona Ivone, um feito histórico.

O álbum volta suas atenções à bossa nova em "Corcovado" – que incorpora registros de gravações feitas por Miles Davis, Tom Jobim e Ivan Lins. Alexandra e Ivan Lins fazem também em duetos em "Anjo de Mim” e "Somos Todos Iguais Esta Noite". Na sequência ela chega a "Palco", canção de Gilberto Gil influenciada pelo grupo Earth, Wind & Fire. Aqui, os produtores recrutaram os membros do lendário grupo Larry Dunn e Al McKay. Ao lado de Alexandra, eles fazem uma grande homenagem ao compositor baiano. Em seguida, chega a vez de homenagear Chico Buarque, em uma versão de “Futuros Amantes”, e o Clube da Esquina, com "Tudo Que Voce Podia Ser.

O álbum segue a na alquimia entre Brasil e Estados Unidos. Do repertório de Lionel Richie, Alexandra Jackson faz dueto com o compositor Rod Temperton em “Our Time Now”. Em outro dueto, mais um feito histórico, em “All One” a voz de Alexandra se junta à de Al Jarreau, em sua última gravação em estúdio antes de falecer, em 2017.

A jornada volta à Bahia em “Veleiros Negros”, com o compositor Carlinhos Brown se unindo à cantora de Atlanta, que interpreta a canção em Yorubá. A faixa traz ainda as participações três dos maiores músicos de jazz do Brasil: Paulo Calasans, Teo Lima e Arthur Maia. O suingue americano dá as mãos à ginga brasileira em “Labirintos”, com participação da Banda Black Rio. A família Jobim volta ao repertório com Daniel e Paulo Jobim cantando com Alexandra “A Felicidade”, de Tom.

Três anos de gravações com lendas da música, por estúdios entre Europa, Brasil e Estados Unidos

Ao falar sobre o projeto, Herbert revela uma jornada de 11 anos que desembocou na construção de um repertório diversificado. Isso o levou a conectar a música brasileira do Século XX com o jazz e o funk de Chicago.

O objetivo do projeto é ambicioso: “Queremos reintroduzir a música brasileira no cenário mundial e devolvê-la ao seu lugar de direito no mainstream”, defende Hebert. Essa ambição tem um importante precedente histórico. A música brasileira foi a mais popular do mundo até a “invasão britânica” na década de 60. E havia uma razão para isso: a fluência do samba e a elegância plural da bossa nova equilibravam as raízes africanas com a sofisticação europeia.

Agora, os produtores defendem que é hora de valorizar esses elementos novamente em escala global. "Escolhemos músicas que foram hits no Brasil. Para o mercado internacional, algumas podem soar familiares, mas a grande maioria não as conhece de fato. Estamos fazendo uma alquimia destes sons com a música americana, e o coração dessa música é Chicago”, afirma Hebert, nascido no berço de uma estética jazzística que combina perfeitamente com sons brasileiros da metade do Século XX.

“A experiência de gravar este álbum foi pungente e extremamente significativa para mim. Ouvir e cantar essas músicas, conhecer e transmitir as histórias por trás de cada uma... É por isso que eu sou tão apaixonada por este projeto. Sonho em levar essas canções para cada canto onde seja possível chegar. A música brasileira merece isso e muito mais”, conclui a entusiasmada Alexandra Jackson. Boa companhia não lhe falta.