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sexta-feira, 11 de março de 2016

CORRUPÇÃO DEIXA DE SER FICÇÃO NO TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Por: Claudia Souza



O Theatro Municipal de São Paulo fundado em 1911, localizado na Praça Ramos de Azevedo,  infelizmente está envolvido em uma Trama que envolve um rombo de 20 milhões de reais na contabilidade, notas fiscais superfaturadas, contratos de fachada e desvio de dinheiro público.  E isso provocou a intervenção durante 90 dias pela prefeitura.

Até então, quem administrava o teatro, pagava as contas, contratava serviços, e escolhia os shows que seriam apresentados, era a empresa IBGC - INSTITUTO BRASILEIRO DE GESTÃO CULTURAL, uma organização social comandada por William Nacked.

Willian Nacked
O grande Theatro Municipal estava sendo comandado por três nomes importantes: Willian Nacked (IBGC); José Luiz Herência (diretor-geral) e John Neschling (diretor artístico), que desde que assumiram, nos primeiros três anos, melhoraram a qualidade da programação, aumentaram a receita e a visitação pública, mas "misteriosamente", como nos textos de Alfred Hitchcock, em 2015, ano em que iniciaram os problemas com o atual governo brasileiro, vários shows foram cancelados por falta de verba, como ocorreu com a ópera Cosi fan Tutle e o concerto La Fura dels Baus. Ao que tudo indica, os R$106 milhões (receita de 2015) pagos pela prefeitura, eram compartilhados com o IBL - Instituto Brasil Leitor, também dirigido por William Nacked, através de empréstimos entre as organizações. Até os funcionários eram compartilhados entre as duas, caracterizando uma "organização social".

O prefeito Haddad tomou conhecimento das dificuldades financeiras através de seu amigo, o Maestro John Neschling, pedindo logo em seguida uma auditoria nas contas do teatro.  A denúncia foi realizada pelo COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que identificou a existência de movimentações bancárias suspeitas por parte de José Luiz Herencia, e com o apoio do Ministério Público, as apurações se cruzaram.


José Luiz Herencia
Foram encontrados na conta da mãe e da ex-mulher de José Luiz Herencia um apartamento de R$6 milhões em Higienópolis e três terrenos em Ilhabela no Litoral Norte, que de acordo com o salário que recebia de R$ 19 mil seria incompatível com as aquisições dos imóveis de tamanha proporção.
Também ficou constatado que as duas parentes do diretor-geral também receberam depósitos de produtoras culturais que prestavam serviços para o Teatro Municipal e que alguns voltaram, porque o CNPJ da empresa era de uma empresa fantasma.

José Luiz Herencia foi indicado ao cargo por Juca Ferreira, então secretário e atual ministro da cultura. Ele foi seu assessor especial durante parte da administração do ex-presidente Lula e também passou pela Secretaria Estadual da Cultura sobre gestão do então secretário Andrea Matarazzo. Em novembro, ao tomar conhecimento do avanço da apuração contra ele, demitiu-se e levou consigo o disco rígido do computador que usava no teatro municipal contendo todas as suas informações de trabalhos; mas o item foi recuperado pela justiça.


Maestro John Neschling
Os promotores também estão atentos ao fato do Maestro John Neschling receber os salário de R$150 mil mesmo quando está afastado em viagens ao exterior e também ao pagamento de 300 mil Euros (mais de R$1 milhão) para uma produtora em Mônaco pelo espetáculo "Alma Brasileira" (sobre Villa-Lobos) que nunca aconteceu. Ele é apontado pelos músicos investigados, como "grosseiro","arrogante" e "tirano", impedindo que seu casting fale com a imprensa, no que é atendido pelo medo da demissão. As irregularidades estendem-se na participação da esposa de Neschling, Patrícia Melo (escritora), frequentar os bastidores e opinar nos trabalhos.

O público queixa-se da manutenção precária do teatro e mesmo com a reforma realizada em 2011 no valor de R$28,3 milhões, o ar condicionado ficou quebrado por 3 meses e a fiação elétrica continua ultrapassada.

O meio artístico está cada vez mais prejudicado pelas instituições que ao invés de protegerem seus direitos e ampliarem o trabalho, colocam nas cadeiras mais importantes, pessoas que confundem o patrimônio público com "privativo".

Fonte: Veja S. Paulo 09/03/16